Já tem algum tempo que a vontade de escrever foi diminuindo.
Com cada nova tecnologia, cada nova IA que escreve com mais clareza e rapidez do que eu, fui me perguntando: pra quê? Está tudo aí. As ideias, os conhecimentos — quase tudo já foi dito, escrito, explicado. O que ainda poderia eu oferecer?
E foi justamente enquanto falava disso com alguém que a ficha caiu.
Não se trata da escrita em si.
Não é sobre publicar um texto brilhante, nem sobre dizer algo inédito. Talvez, de fato, muito já tenha sido dito. Mas há algo que não pode ser copiado: o pulso de presença. Quando alguém faz algo com verdade, marca o mundo com sua energia. É uma alma que se manifesta. Que se faz sentir.
E isso vale para qualquer campo de atuação. Qualquer gesto que nasça de dentro.
Seja qual for o ofício — ensinar, cuidar, construir, organizar, guiar, ouvir — quando feito com verdade, ele vibra. Ele irradia.
Esse pulso não é técnico. É energético.
Napoleon Hill dizia que a mente humana funciona como uma bateria — e essa imagem nunca fez tanto sentido.
Somos baterias: feitos para emitir. Para transmitir energia, clareza, direção.
E talvez o peso, a exaustão, o vazio que por vezes sentimos venham justamente disso: da energia que não circula. Do pulso que não emitimos. Da frequência que represamos.
Emitir esse pulso é liberar presença.
É alinhar intenção com ação.
É permitir que aquilo que se move por dentro encontre forma no mundo.
E isso não é só útil — é sagrado.
Jesus já dizia: “Sede santos como eu sou santo.”
E o que é santidade senão emitir luz verdadeira, por inteiro, onde quer que se esteja?
Quanto mais pulso genuíno há num gesto, numa fala, numa escolha — mais luz se acende ao redor.
Porque quem vibra com verdade, ilumina.
Por isso importa.
Não por vaidade. Mas porque há algo em você que pulsa — e precisa sair.
É assim que se participa. Que se contribui. Que se vive com sentido.
Mesmo que a forma já exista. O pulso ainda será único.
Talvez seja exatamente isso: emitir um pulso.
E quando esse pulso é verdadeiro, ele se faz notar —
porque tudo que vibra com clareza acaba iluminando ao redor.
E como dizia o filósofo francês Padre Gratry, o estilo é a alma exteriorizada —
por isso, esse pulso é sempre único.
Não há como replicá-lo.
Porque não há como replicar quem pulsa.


