Diálogos com o Que Permanece
Este é o primeiro texto da seção Imanência — Escritos de Retorno: um espaço dedicado à escuta do que permanece.
Certo dia, conversava comigo mesmo e surgiu uma dúvida.
— Quem sou? — perguntei em silêncio.
— Eu sou o Zenérico, respondi.
— Mas não existem outros Zenéricos por aí?
— Sim…
— Então somos todos iguais?
— Não. Eu tenho sobrenome.
— E se houver outro com o mesmo nome e sobrenome?
(Silêncio.)
— O nome é só um som, não é?
— Sim. E ele aponta para algo ou alguém.
— Então... quem sou este que faz as perguntas?
Zenérico
Imanência
Escritos de Retorno é o espaço onde Zenérico mergulha na reconexão com a interioridade — com o que é eterno e imanente dentro do ser. Aqui, ele caminha entre a ética silenciosa, a sombra que pede reconciliação e o coração que deseja ordem. Com Jung, desenha o mapa. Com Agostinho, volta para dentro. Aprende que Deus só fala com a parte mais elevada do ser — e que integrar a sombra é necessário, mas não suficiente. A verdade exige mais: lucidez, reverência e alinhamento com o real. Antes de qualquer entrega a Deus, é preciso estar inteiro. Este é o lugar onde o ser para de fugir — e aprende a sustentar o silêncio. Aqui, a escrita é ferramenta. Não para explicar o mundo. Mas para recuperar o centro.

